terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Princesa Isabel: redentora ou santa? -- por Dom Antônio Augusto Dias Duarte (*)

Os passos que começaram a ser dados para a abertura do processo de beatificação da princesa Isabel na Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro estão perfeitamente sincronizados com as reais necessidades do nosso país, governado hoje pela segunda mulher brasileira.
Comecei a escrever esse artigo no dia 14 de novembro de 2011, sabendo que há 90 anos falecia, em Paris, a primeira mulher que governou o Brasil, a princesa Isabel Cristina Leopoldina Micaela Gabriela Rafaela Gonzaga de Bragança.

Era também uma segunda-feira, e no Castelo d’Eu, na Província da Normandia, em consequência de uma insuficiência cardíaca agravada por congestão pulmonar, a três vezes regente do Império brasileiro pronunciava o seu definitivo “sim” a Deus, aceitando a morte bem longe de sua amada pátria, o Brasil.

No seu testamento feito em Paris, no dia 10 de janeiro de 1920, encontram-se os seus três grandes amores. Assim se lê nesse documento revelador: “Quero morrer na religião Católica Apostólica Romana, no amor de Deus e no dos meus e de minha pátria”.

Inseparáveis no coração de mulher, de mãe e de regente, esses amores, vividos com fidelidade e heroísmo, constituíram o núcleo mais profundo de seu caráter feminino, sempre presente na presença régia dessa mulher – esposa, mãe, filha, irmã, cidadã – e, sobretudo, na sua função de uma governante incansável na consecução de uma causa que se arrastava lentamente no Império desde 1810: a libertação dos escravos pela via institucional, sem derramamento de sangue.

Conhecendo com mais detalhes a vida dessa regente do Império brasileiro e conversando com várias pessoas sobre a sua possível beatificação e canonização num futuro próximo, fico admirado com suas qualidades humanas e sua atuação política sempre inspirada pelos princípios do catolicismo, e, paralelamente, chama-me atenção o desconhecimento que há no nosso meio cultural e universitário sobre a personalidade dessa princesa brasileira.

Sabemos que sua atuação política, inspirada pelos ensinamentos evangélicos, não foi bem acolhida na corte e na sociedade da sua época, quando a economia brasileira dependia desse sistema escravagista tão indigno do ser humano. Sabemos que sua vida católica profunda e ao mesmo tempo muito prática incomodava, a tal ponto que comentários pejorativos – tal como acontece ainda hoje quando se é autenticamente católico – sobre sua “beatice” eram muito frequentes entre os políticos da sua época. Sabemos que as suas ações beneméritas e de caridade cristã não só a levaram a abraçar essa causa abolicionista, mas também a varrer a Capela Imperial de Glória (a Igreja do Outeiro) com as mulheres escravas e a viver com constância duas das inúmeras preocupações cristãs: rezar pelo Brasil e pela conversão dos ateus.

O que sobressai nesse saber histórico e nos permite falar e agir no sentido de abrir um processo canônico de beatificação dessa primeira mulher governante do Brasil é a sua fé firme, a sua fervorosa caridade e a sua inabalável esperança cristã, que a conduziram por um caminho muito característico das pessoas que respondem à chamada, presente no sacramento do Batismo, a santidade. O caminho da defesa da dignidade e dos autênticos direitos humanos, tão necessária para a construção de um país onde a justiça social e a paz entre os homens fortalecem as relações entre todas as classes sociais, não é apenas uma atitude política, mas é uma ação própria dos santos de todos os tempos e, principalmente, da nossa época moderna e pós-moderna.

A princesa Isabel, como católica, esposa, mãe e governante do Brasil, sabia muito bem que a fé, a esperança e a caridade cristãs não conduzem a um refúgio no interior das consciências ou não são para serem vividas somente entre as quatro paredes de uma igreja, mas comprometem os católicos na busca incansável de soluções para os grandes problemas sociais da época da história na qual vivem.
Foi por isso que a princesa Isabel mereceu a mais suma distinção da Igreja Católica, a Rosa de Ouro, conferida pelo Papa Leão XIII, em 28 de setembro de 1888, um prêmio que é análogo ao atual Prêmio Nobel da Paz, e até hoje foi a única personalidade brasileira a receber essa comenda, guardada no Museu de Arte Sacra do Rio de Janeiro.

Os passos que começaram a ser dados para a abertura do processo de beatificação da princesa Isabel na Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro estão perfeitamente sincronizados com as reais necessidades do nosso país, governado hoje pela segunda mulher brasileira. Ontem como hoje a promoção da vida dos mais marginalizados no Brasil, a defesa do “ventre livre”, onde as crianças podem desenvolver-se sem a entrada de máquinas aspiradoras e assassinas das suas vidas, a atenção social e econômica mais urgente com os “escravos do álcool, do crack, dos antivalores” que acabam com boa parte da juventude brasileira, a tolerância e o respeito pela pluralidade religiosa e a abertura ao diálogo sincero entre as diversas camadas sociais são prioridades que devem ser atendidas num esforço comum entre católicos, evangélicos, muçulmanos, judeus, seguidores das religiões africanas, enfim, por todos que têm amor pelos seus entes queridos e pelo Brasil à semelhança da princesa Isabel.

Para que no Brasil se respire a verdadeira liberdade e haja realmente unidades pacificadoras no meio das cidades espalhadas, e não em comunidades cariocas dominadas pelo tráfico de drogas, urge ter homens e mulheres, como a princesa Isabel, o frei Galvão, a irmã Dulce, etc., que com suas vidas exemplares na fé, na esperança e na caridade, sejam testemunhas vivas da santidade, que não passou de moda, pois os santos continuam sendo os grandes conquistadores e construtores do mundo onde a humanidade pode habitar.

Vale a pena considerar com pausa e reflexão essa chamada feita no início do Terceiro Milênio pelo saudoso Papa João Paulo II para a hora em que estamos vivendo na Igreja.

“É hora de propor de novo a todos, com convicção, essa medida alta da vida cristã ordinária: toda a vida da comunidade eclesial e das famílias cristãs deve apontar nessa direção (…). Os caminhos da santidade são variados e apropriados à vocação de cada um” (cf. Carta Apostólica no início do Novo Milênio, beato João Paulo II, n. 31, 6.1.2001).
(*) Dom Antônio Augusto Dias Duarte
Bispo auxiliar da Arquidiocese do Rio de Janeiro – RJ
                                                          

DEPOIMENTO DE RITA LEE - Recomendo a leitura.


Rita Lee.

"Eu tinha 13 anos, em Fortaleza, quando ouvi gritos de pavor. Vinham da vizinhança, da casa de Bete, mocinha linda, que usava tranças. Levei apenas uma hora para saber o motivo. Bete fora acusada de não ser mais virgem e os irmãos a subjugavam em cima de sua estreita cama de solteira, para que o médico da família lhe enfiasse a mão enluvada entre as pernas e decretasse se tinha ou não o selo da honra. Como o lacre continuava lá, os pais respiraram, mas a Bete nunca mais foi à janela, nunca mais dançou nos bailes e acabou fugindo para o Piauí, ninguém sabe como, nem com quem.

Eu tinha apenas 14 anos, quando Maria Lúcia tentou escapar, saltando o muro alto do quintal da sua casa para se encontrar com o namorado. Agarrada pelos cabelos e dominada, não conseguiu passar no exame ginecológico. O laudo médico registrou vestígios himenais dilacerados, e os pais internaram a pecadora no reformatório Bom Pastor, para se esquecer do mundo. Realmente, esqueceu, morrendo tuberculosa.

Estes episódios marcaram para sempre a minha consciência e me fizeram perguntar que poder é esse que a família e os homens têm sobre o corpo das mulheres? Ontem, para mutilar, amordaçar, silenciar. Hoje, para manipular, moldar, escravizar aos estereótipos. Todos vimos, na televisão, modelos torturados por seguidas cirurgias plásticas. Transformaram seus seios em alegorias para entrar na moda da peitaria robusta das norte americanas. Entupiram as nádegas de silicone para se tornarem rebolativas e sensuais, garantindo bom sucesso nas passarelas do samba. Substituíram os narizes, desviaram costas, mudaram o traçado do dorso para se adaptarem à moda do momento e ficarem ir resistíveis diante dos homens.

E, com isso, Barbies de facaria, provocaram em muitas outras mulheres - as baixinhas, as gordas, as de óculos - um sentimento de perda de auto-estima. Isso exatamente no momento em que a maioria de estudantes universitários (56%) é composto de moças. Em que mulheres se afirmam na magistratura, na pesquisa científica, na política, no jornalismo. E, no momento em que as pioneiras do feminismo passam a defender a teoria de que é preciso feminilizar o mundo e torná-lo mais distante da barbárie mercantilista e mais próximo do humanismo. Por mim, acho que só as mulheres podem desarmar a sociedade. Até porque elas são desarmadas pela própria natureza. Nascem sem pênis, sem o poder fálico da penetração e do estupro, tão bem representado por pistolas, revólveres, flechas, espadas e punhais. Ninguém diz, de uma mulher, que ela é de espadas. Ninguém lhe dá, na primeira infância, um fuzil de plástico, como fazem com os meninos, para fortalecer sua virilidade e violência.

As mulheres detestam o sangue, até mesmo porque têm que derramá-lo na menstruação ou no parto. Odeiam as guerras, os exércitos regulares ou as gangues urbanas, porque lhes tiram os filhos de sua convivência e os colocam na marginalidade, na insegurança e na violência. É preciso voltar os olhos para a população feminina como a grande articuladora da paz.

E para começar, queremos pregar o respeito ao corpo da mulher. Respeito às suas pernas que têm varizes porque carregam latas d'água e trouxas de roupa. Respeito aos seus seios que perderam a firmeza porque amamentaram seus filhos ao longo dos anos. Respeito ao seu dorso que engrossou, porque elas carregam o país nas costas. São as mulheres que irão impor um adeus às armas, quando forem ouvidas e valorizadas e puderem fazer prevalecer a ternura de suas mentes e a doçura de seus corações. "Nem toda feiticeira é corcunda. Nem toda brasileira é só bunda." 

Pão Diario - Postagem do Pedrinho Sanharol.



Recentemente fui ao supermercado para fazer uma pequena compra. Vi na sessão de frutas e verduras uma prateleira cheia de lindas flores. Embora não estivessem em minha lista, fiquei tentado a levar algumas para oferecer à minha esposa. Comprei um feixe de dez tulipas amarelas. Uma beleza! Terminei as compras, voltei para casa, pus as flores num vaso próprio que enchi com água fresquinha. 

Lá elas ficaram sobre a mesa da sala, tão lindas, para a alegria da minha esposa quando as encontrou.  No dia seguinte, domingo, fomos à igreja. Um lindo dia de sol que invadiu a casa através da janela. As flores recebiam o sol quente, demonstrando satisfação. Entretanto, quando voltamos, elas estavam completa-mente murchas - não eram mais aquelas lindas flores da manhã. Fiquei muito triste e fui investigar a razão. A água viva, fresquinha, com a qual tinha enchido o vaso, havia-se evaporado com o sol forte que entrava pela janela. 

Imediatamente tratei de repor a água do vaso e fiquei à espera, ansioso para que as flores se reanimassem e voltassem a ser o que eram. A água fez o seu efeito, à tardinha começaram a dar sinal de vida, e de repente estavam firmes, cheias de vigor e lindas novamente. 

A vida do cristão é assim também. Ele é chamado a viver cheio de esperança e alegria. Se Jesus viver nele por meio do seu Espírito, essa vida transparecerá nele, mas se o Senhor for esquecido, sua vida não apresentará a beleza de quem o conhece. 

Se Jesus dominar, não importam o sol escaldante, os problemas, as lutas de cada dia, as dúvidas, as doenças e tantas outras dificuldades, o cristão sempre terá dentro de si uma fonte de vigor e alegria – terá aprendido o segredo de viver feliz. 

A água da vida está à disposição para reanimar quem quiser recebê-la.

Enviada por Rogeany Santana.

Versador - Por Jose de Moraes Brito.

Dê-me uma ampola que está dor evite!
Que desta dor de ouvido estou farto
Dizem que é terrível a dor do infarto.
Que é imsuportavel a tal bursite.

A maior dor que existe é a pulpite...
Dizem alguns que é a dor do parto,
Mas que esta dor apenas dói 1/4
Da cólica renal, da meningite.

São estas tais as dores mais temidas
Que atormentam tanto  nossas vidas
Tornando nossa paz um pesadelo

Mas a uma dor não cabe analgesia
Nem bolsa d'água quente ou fria
É a chamada "Dor de cotovelo".

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Coronel Raimundo Augusto - Por Antônio Morais

Almoçando o inimigo antes que ele nos jantasse, Cel. Raimundo Augusto dá combate a Lampião no sitio Tipi em Aurora. Entre os cometimentos atribuídos ao Cel. Raimundo Augusto figura o combate que este frente a seus cabras teria sustentado contra o bando de Lampião, no ano de 1927. Muito bem armado com os fugis e os mosquetões recebidos de Floro para dar perseguição a Coluna Prestes, o famoso bandoleiro demorava no sitio Tipi, em Aurora, enquanto planejava o ataque contra Lavras da Mangabeira. A cidade de São Vicente Ferrer com o seu comercio e as suas riquezas havia despertado a cúbiça no temível cangaceiro, encorajando-o a praticar o saque. Já os donos do Tipi eram inimigos declarados do Clã lavrense. Então, por que esperar? Almoçar o inimigo antes que ele nos jante, decidiu o Coronel. E, assim foi feito. Sem perda de tempo Raimundo Augusto reuniu seus cabras e arrojou-se de surpresa sobre o bando facinoroso. Após breve combate Lampião e os do seu bando fugiam, deixando no local da refrega armas, mantimentos e vários cavalos de montaria do bando, que não puderam conduzir. Dias depois, na propriedade do Coronel António Joaquim de Santana, na Serra do Mato, onde o bando costumava esconder-se, António Ferreira, irmão de Lampião, recriminava em versos, ao som da sanfona, a imprudência do irmão:

Lampião bem que eu te disse,
Que deixasse de asneira,
Que passasse bem por longe,
De Lavras da Mangabeira.

O galo Chantecler - Enviado pelo Dr. Francisco Alves Pereira.

Leonel Brizola, figura singular da história política brasileira, tinha como uma de suas características a fala através de metáfora. Era mestre neste tirocínio.

Ao reler seus Tijolaços – artigos pagos e publicados em jornais impressos de circulação nacional – este predicado fica mais evidente, e muito mais agudo com sua peculiar ironia e sagacidade.

Uma das figuras que usava era a síndrome do galo Chantecler.

O galo Chantecler, diz a história da fábula do teatrólogo e escritor francês Edmond Rostand, era um galo metido, chamado Chantecler (algo como “canta e clareia”).

O galo acordava de madrugada e cantava a plenos pulmões, para “acordar o sol”. Meia hora depois, o sol despertava e surgia brilhante no horizonte.

“O sol nasce porque eu canto”, proclamava orgulhoso e arrogante, o galo. 

Mesmo diante da contestação de todos, ele repetia: “sou eu que faço o sol nascer”.

Sua decepção profunda veio quando, depois de uma noite mal dormida, o galo acordou muito mais tarde, lá pelas 8 e meia da manhã, e viu, desesperado, o sol brilhando no céu, sem que ele o tivesse determinado.

Na existência humana muitos sofrem desta síndrome e acreditam, piamente serem a razão inconteste do raiar do sol; aprumam as penas e cacarejam a todos os pulmões; olvidando-se de sua reles existência finita, de sua ordinária vulnerabilidade, da sua vil transitoriedade.

Incultos, rasos e arrogantes, são desprovidos da genuína sabedoria de que pouco ou quase nada sabemos, uma vez que a existência é um eterno aprender.

Na política, esta síndrome se acentua: o poder, o dinheiro, o status, as facilidades, são agentes imperiosos para o cacarejo Chantecler. Muitos acreditam serem o centro do universo com seu egocentrismo e sua ganância, entre outros atributos mais deletérios.

Desta forma, fica cada vez mais perceptível e escandaloso a perda da conectividade com a vida e o sofrimento real de nossa população, em prol da infatigável busca por holofotes e poder.

Afinal, a política para alguns é apenas o instrumento basilar para aumentar suas síndromes, sua ganância e sua estupidez. O povo é apenas um detalhe, cinicamente, manipulado para a manutenção do poder.

Porém, um dia o despertar se atrasará, o sol brilhará e o cacarejar será apenas ruído de quem um dia se conjecturou ser a razão primordial e insubstituível da existência; e quem sabe assim perceberá sua pequenez e sua finitude.

Até porque o poder – cedo ou tarde – castiga, os insaciáveis galos Chantecler. 

Sábio, Leonel Brizola!

História de sertanejo - Por Antônio Morais.


Historias de Sertanejos - Antonio Morais.

O Cacimiro Bento, do Açude Velho, município de Piquet Carneiro, de início, era uma pessoa normal. Casou-se, nasceram muitos filhos, porém depois de quarenta anos, apareceram uns problemas e ficou amalucado. Não era totalmente débil mental, mas, muito ingênuo mesmo. As conversas dele não tinham pé nem cabeça. Enviuvou, e passou a morar na casa dos filhos, uns dias na de um, outros dias na casa de outro, e assim por diante.

Quando se encegueirava por uma coisa não tinha quem o arredasse. No começo da década de 1940, cismou de ir passar uns meses na casa de uma filha em São Paulo. Insistiu até arranjarem dinheiro para ele viajar, àquela época de navio, em companhia de pessoas conhecidas. Passou por lá um ano ou mais e, de novo, começou a insistir para voltar. Era no quente da segunda grande guerra, de vez em quando se sabendo notícias de navios afundados pelos alemães, por isso, a filha temia em deixar seu pai viajar de navio, pois, naquele tempo não havia outro meio de transporte, porém, insistiu tanto que o jeito foi ela concordar embora sabendo do grande perigo.

Arranjou passagem, embarcou ele no porto de Santos e telegrafou para a família. Aconteceu que com oito ou nove dias de viagem o navio foi torpedeado. Correu a notícia: “o navio que Cacimiro viajava afundou e não se salvou ninguém”. A família em Piquet Carneiro quando soube, ficou muito aflita e botou luto. Passados uns dois ou três anos, eu estava um dia hospedado na casa do meu parente, o Chico do Zeca, em Fortaleza, saí pra rua e quando voltei avistei o Cacimiro bem sentado na casa onde eu estava hospedado, e sem querer acreditar, perguntei: “É o Cacimiro Bento mesmo?” E ele com aquela mesma cara de pateta, só fez dizer “éééé”.

Ai fomos quebrar cabeças para saber como foi que ele se salvou do naufrágio do navio. Ele contou uma estória que quase não acabava mais e no final tiramos à conclusão de que o caso aconteceu mais ou menos assim: quando o navio chegou ao Rio de Janeiro demorou um pouco; o Cacimiro então saiu e foi pedir para um rapaz desconhecido trocar uma cédula de dez mil réis; o rapaz respondeu que não podia, mas, se ele quisesse ia ali trocar o dinheiro e voltaria já; ele concordou e depois de esperar muito pelo rapaz, faltou à paciência e saiu para procurá-lo na rua; nem encontrou e nem acertou mais voltar; começou a se lastimar de rua em rua, até que um senhor se compadeceu e o levou para a casa, onde ficou trabalhando, zelando o jardim; depois, este mesmo senhor arranjou uma passagem e o mandou para o Ceará, visto que a guerra já havia terminado.

Passou mais de três anos na casa desse senhor. No dia seguinte viajávamos de trem para o interior, sentados na mesma cadeira, e de vez em quando eu o notava querendo rir. Perguntei-lhe porque estava rindo e ele respondeu: “maginano, quandeu chegá lá, o avoroço do povo cum medo deu”....

Uma emocionante história de amor - Autor desconhecido.


Um casal de idosos que não tinha filhos morava em uma casa humilde, de madeira; tinha uma vida muito tranquila, alegre, e se amava muito. Eram felizes. Até que um dia aconteceu um acidente com a senhora. Ela estava trabalhando em sua casa quando começou a pegar fogo na cozinha e as chamas atingiram todo o seu corpo. O esposo acorda, assustado com os gritos, e vai à sua procura. 

Quando a vê coberta pelas chamas, imediatamente tenta ajudá-la. O fogo também atinge seus braços e, mesmo assim, ele consegue apagá-lo. Quando chegaram os bombeiros, já não havia muito da casa, apenas uma parte, toda destruída. Levaram o casal para o hospital, onde foi internado em estado grave.

O senhor, menos atingido pelo fogo, saiu da UTI e foi ao encontro de sua amada. Ainda em seu leito, a senhora, toda queimada, pensava em não viver mais, pois estava deformada, inclusive seu rosto.

Quando viu o marido na porta do quarto, foi perguntando: Tudo bem com você, meu amor?

Sim - respondeu ele. Pena que o fogo atingiu os meus olhos e não posso mais enxergar... Mas fique tranquila, amor, porque sua beleza está guardada em meu coração para sempre.

Então, triste pelo esposo, a senhora disse: Deus, vendo tudo o que aconteceu, tirou-lhe a visão para que não presencie esta deformação em mim. As chamas queimaram todo o meu rosto e estou parecendo um monstro.

Passando algum tempo e recuperados, saíram do hospital e conseguiram reconstruir a casa, onde ela fazia tudo para seu querido esposo. Ele dizia todos os dias que a amava.

E assim viveram vinte anos até que a senhora morreu. No dia do seu enterro, quando todos se despediam, o marido, sem óculos escuros e com sua bengala nas mãos, chegou perto do caixão. Beijando o rosto e acariciando sua amada, disse em um tom apaixonante:

Como você é linda meu amor! Eu te amo muito.

Vendo aquela cena, um amigo que estava ao lado perguntou se o que tinha acontecido era milagre, pois o idoso estava enxergando outra vez. Olhando nos olhos dele, o velhinho apenas falou:

Nunca estive cego, apenas fingia. Quando a vi toda queimada, sabia que seria duro para ela continuar vivendo daquela maneira. Foram vinte anos vivendo muito felizes e apaixonados...

Dinheiro e tempo - Por Antonio Morais.

A única diferença entre o dinheiro e o tempo é que você sempre sabe o dinheiro que tem. Mas nunca sabe o tempo que lhe resta.

Depois de ver o nível de fingimento de algumas pessoas, conclui-se que falsidade também é um talento.

O falso é como o carvão : Aceso te queima, apagado te suja.

Essa foto encarna a importância e o valor da lealdade, do respeito e do amor verdadeiro. 

Veja-a com os olhos do coração. Embora eu saiba que hoje em dia está fora de uso. perdeu a validade.

domingo, 25 de janeiro de 2026

Que tempos! Que costumes! - Por Antônio Morais.



Dedicado ao Antônio Gonçalo de Sousa autor do "Livro Trouperismo Nosso".

Que tempos? Que costumes? 

Todo matuto tem horror aos que em razão do oficio, são severos na aplicação das leis. Conta-se que um dos muitos fiscais do consumo que vive a percorrer a terra e que, de posse de um mandato de segurança e um ordenado fabuloso, foi esbarrar em Várzea-Alegre. Um conterrâneo não podia transportar um saquinho de arroz num jumento que era taxado de contrabandista e intimado a recolher o imposto.

A derramar o terror pelo sertão, andava também o rei do cangaço, o famigerado Lampião, o qual havia se hospedado em Juazeiro do Norte com honras de capitão da legalidade. Que tempos, que costumes?

O nosso matuto, fazendo uma negociação clandestina, enforcava na alpendrada de sua casa, uma garrafa que, vista de certa distancia, era um chamariz para os compradores da teimosa. Pois bem, atraído a um destes recantos da fraude e da sonegação do imposto, é que foi até ali um senhor desconhecido. Quem era? Pelos modos, o homem era grande, porque se apresentava altivo, arrogante e de sobrolho carregado. Trazia um bonito chapéu, lenço perfumado, e vários anéis nos dedos.

Chega. E como galã de cinema se apeia. E com esses ares de grão-senhor vai logo entrando de bodega adentro. Não diz bom dia. Não dá confiança a ninguém. No interior da casa, porque se deparasse com duas garrafas de qualquer droga, as quais descansavam em cima de um balcão feito com vigor de pau d'arco, indaga com voz de autoridade: O senhor tem aguardente? Tenho Nhor sim, responde com voz soturna o pobre homem.

Ah! Ao falar em corda na casa de enforcado, um estranho frio invade a alma do bodegueiro. Todo o seu ser tremeu como se lhe tremesse a própria terra. E desmaiado, voz difícil, começa a defender-se: Meu amigo, tenha pena dos meus filhinhos, Isso aqui que o Senhor está vendo não é bodega, eu só tenho, acredite, essas duas garrafas e esta cestinha de cigarros, porque a roça que botei na quebrada da Serra Negra a lagarta comeu. Não me multe, Senhor Fiscal.

O interlocutor estranho que já estava de boca aberta em sinal de grande pasmo desata uma bruta gargalhada. Depois, olhando o suplicante sem lhe desfitar os olhos, lhe diz: Quem o Senhor pensa que eu sou? Não rapaz, eu não sou fiscal. Eu sou Lampião.

Lampião? O homem ri fazendo uma ligeira contração nos músculos faciais. E voltando a vida, faz camaradagem com Lampião com quem conversa animadamente, graceja, bebe e fuma cigarro sem selo.

PROTESTO - ANTONIO ALVES DE MORAIS


Dedicado ao nobre conterrâneo Washingto de Sousa que conheceu o meu amigo  Ribinha em São Paulo  há pouco tempo.

Na década de 70 do século passado, todo ano, no período das festas juninas, O Trio Nordestino passava uma semana na casa do estimado amigo Dr. Laercio em Assaré. Fartura de carneiro, muita prosa e pinga a bambão.
A musica "Tem homem de Saia" foi composta numa destas visitas, e, em homenagem a Ribinha, um assareense dos bons que atualmente é proprietario de restaurantes em São Paulo. 

Fui testemunha ocular deste fato. estava presente num dos momentos felizes de minha vida. A musica está sendo deturpada e cantada, no momento, por três graciosas senhoritas e onde se dizia "Ribinha" trocaram por Chiquinho. 

Não é justo que se mude a letra porque a historia da musica é esta, com o nosso Ribinha como protagonista da festa e da alegria.

Em homenagem ao Trio Nordestino, ao amigo Jose Alves de Freitas - Dr. Laercio e ao Ribinha.

Saudades dos velhos tempos.

Articulações - Por Antonio Morais.

Por mais inteligente que alguém possa ser, se não for humilde, o seu melhor se perde na arrogância.

A humildade ainda é a parte mais bela da sabedoria. Limite é aquilo que você precisa impor para não acomodar gente folgada.

Na minha idade, já não me doem as traíções, mentiras e decepções. 

O que me doem são as articulações.


Enviado por Amigos de Deus.

A vaidade tem sido a causa de muitas de nossas decepções. Cremos que somos melhores, mais competentes e superiores àqueles que estão ao nosso redor.

Achamos defeito em tudo e em todos, concluindo, logo a seguir, que poderíamos fazer o mesmo de maneira muito melhor. 

Quando somos humildes em nossas atitudes, os aplausos e elogios nos enchem de felicidade. Quando somos arrogantes e orgulhosos, muitas vezes os aplausos não aparecem e mergulhamos em profunda decepção e angústia. 

É melhor não esperar nada e receber tudo do que esperar tudo e não receber nada.